De acordo
com o gestor, o resultado apontado pelo Índice não condiz com a real
situação do Ensino Médio no Ceará, tendo em vista o gradual aumento nas
aprovações dos estudantes concludentes deste nível de ensino em
universidades públicas. "Isso não bate com a realidade do que vem sendo
feito. Nos surpreendeu que 16 Estados tenham caído", observa Maurício.
Segundo o
secretário, o governo estadual solicitou do Ministério da Educação (MEC)
informações mais detalhadas sobre a forma como a avaliação foi aplicada
nas escolas, a fim de esclarecer o porquê da diminuição da nota. A
resposta do órgão federal, entretanto, ainda não veio.
Diferentemente
da medição no Ensino Fundamental, em que os testes são aplicados de
maneira censitária, ou seja, a todos os alunos, nos três últimos anos da
educação básica a prova é feita por amostragem e, por isso, apresenta
margem de erro. "Temos conhecimento pouco detalhado do índice.
Solicitamos do MEC qual foi a amostra prevista e a realizada. Embora a
gente ache que esta é uma metodologia válida, a variação de erro é
maior", pondera o gestor.
Novo modelo
Para
Maurício Holanda, a maneira mais eficiente e precisa de calcular o
desempenho dos Estados no Ideb seria a avaliação das notas dos alunos no
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O próprio MEC estuda a
possibilidade de pôr em prática este modelo de cálculo do Índice, que
hoje é formado pela prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica
(Saeb), composto pelas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, e
pela taxa de aprovação escolar.
"A gente tem
um número muito significativo de alunos que fazem o Enem. Acreditamos
que isso pode gerar um dado mais confiável", ressalta Maurício. Segundo a
Seduc, o Estado desenvolve diversas ações para incentivar os estudantes
a comparecer ao Exame, como o "Enem, chego junto, chego bem". Meta para
este ano é conseguir 90% de frequência na prova.
Na visão do
secretário, apesar de apresentar margem de erro, o Ideb ainda é a
ferramenta mais importante para mensurar a qualidade da Educação no
País. "É a forma de a gente transformar um indicador complexo numa
informação simples. As pessoas que não são da área da Educação, mas que
se importam com o setor, podem entender o que está acontecendo. É um
índice muito relevante que deve ser mantido", destaca Maurício.
Ensino Fundamental
Se nas
séries preparatórias para o ingresso à universidade o resultado do Ideb
chamou a atenção de maneira negativa, por outro lado, no Ensino
Fundamental o Ceará se saiu bem na avaliação. Nos anos iniciais (até a
5ª série) a meta de 3,9 pontos foi superada, chegando à nota 5. Enquanto
isso, nos anos finais (até a 9ª série), a projeção de 3,6 também foi
ultrapassada, alcançando 4,1 pontos na avaliação.
"A educação é
um investimento de longo prazo. É natural que as melhorias venham
primeiro no Ensino Fundamental", avalia Maurício. De acordo com o
gestor, o resultado positivo nesta modalidade, hoje, irá influenciar no
avanço do Ensino Médio em alguns anos.
O município
de Sobral, melhor classificado no Ideb do Estado, destacou-se também em
nível nacional. De acordo com o secretário de Educação local, Júlio
César Alexandre, o resultado coloca a cidade em 5º lugar do Brasil no
Ensino Fundamental até o 5º ano, com nota 7,8; e 9ºlugar nacional até o
9º Ano. "Devemos levar em conta que as escolas que ficaram na nossa
frente são de municípios bem menores, com 80, 100 alunos apenas", diz.
Já
o município de Ibaretama, avaliado como um dos mais atrasados no
índice, está traçando o Plano Municipal de Educação para definir
estratégias de desenvolvimento da área, segundo a administração local.
"Estamos investindo na valorização dos profissionais para reverter o
índice", aponta o secretário de Administração de Ibaretama, Karpegeanne
Vieira. "A gente entende que, desde o início da gestão, já conseguiu
fazer alguma coisa, mas é preciso fazer muito mais".
Bruno Mota
Repórter.
