| Foto: Arquivo/Agência Caririceara.com As informações são do Jornal do Cariri Foto: Arquivo/Agência Caririceara.com |
Na semana passada, o ex-prefeito foi acusado de deixar um rombo de R$
5,6 milhões na Sociedade Anônima de Águas e Esgotos do Crato (Saaec). A
informação – prestada pela atual gestão da autarquia – observa que não
estão inclusos valores referentes a débitos com o INSS. Os débitos
apresentados são referentes a atrasos de pagamentos com a Cogerh, de R$
4,3 milhões, e com a Enel/Coelce, de R$ 1,3 milhão.
Os peritos da PF visitaram a Secretaria de Infraestrutura, onde foram
recebidos pelo atual secretário Luiz Wellington. O secretário disse aos
peritos que não estava ciente do caso, por estar no cargo há pouco
tempo. Sobre a localização das escolas, Luiz Wellington orientou os
peritos a procurarem à Secretaria de Educação do Município.
Durante as visitas, os investigadores foram acompanhados por um
fiscal de obras da Prefeitura e não falaram com a imprensa. Um dos
peritos, identificado apenas como Leonardo, disse que não poderiam falar
sobre os detalhes da operação, por se tratar de uma investigação
sigilosa. A equipe faz parte do Departamento de Engenharia da Polícia
Federal.
Os peritos investigam indícios de superfaturamento a partir de
denúncias de uso de materiais inferiores aos que foram descritos no
projeto inicial. Além de averiguar a qualidade dos materiais, os agentes
fizeram medições para certificar a totalização da área reformada
descrita no projeto. As obras foram licitadas em 2012, ainda na gestão
do ex-prefeito Samuel Araripe (PSDB).
Em uma das unidades de ensino visitadas pela equipe da PF, a Escola
de Ensino Infantil e Fundamental Maria Pia Brígido e Silva, no Parque
Granjeiro, foram verificadas reformas em parte do piso, construção de
salas e pintura do prédio. Direção e funcionários da escola não quiseram
falar sobre a investigação.
Segundo informações colhidas no Portal da Transparência do Tribunal
de Contas dos Municípios (TCM), entre os anos de 2012 e 2013, foram
empenhados e pagos R$ 1,7 milhão (R$ 1.704.276,82) em serviços prestados
à Secretaria de Educação, especificados apenas como “obras e
instalações”
De R$ 1,7 milhão, a gestão Samuel pagou R$ 1,2 milhão e anulou outros
R$ 407 mil. O valor anulado por Samuel foi empenhado e pago na gestão
Ronaldo Mattos. A licitação (nº 2707.02/2012-01) foi feita em julho de
2012 e a empresa prestadora dos serviços não foi citada por falta de
confirmação da Polícia Federal.
Segundo informações conseguidas pelo Jornal do Cariri, a investigação
teve início em 2014, quando outra equipe de peritos colheu documentos
na Secretaria de Obras do Município. O ex-secretário Tárcio Luiz disse
não ter conhecimento das reformas ou outras obras, por não estar à
frente da Secretaria na época.
Outra visita à Secretaria de Obras foi feita já em 2016, mas o
secretário disse não saber o que foi recolhido ou investigado. Apesar de
não prestar qualquer informação sobre a investigação, existe a
expectativa de que, em breve, a Polícia Federal divulgue o relatório
final da investigação.
O ex-prefeito Ronaldo Mattos não foi encontrado para falar sobre a
investigação. A reportagem do JC tentou contato por telefone, mas não
teve as ligações retornadas pelo ex-prefeito.
