Os quatro anos consecutivos de seca causaram inúmeros transtornos, sobretudo ao Interior do Estado. Com a informação quase certa de que o Ceará terá mais um ano de estiagem, algumas medidas vêm sendo tomadas pelo Governo Estadual, entre elas, a redução da vazão de água para a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) em 11,7%. A média de escoamento, que antes era de 8,5 m³ de água por segundo, caiu para 7,5m³ de água por segundo. Na Capital, a redução foi de 10%.
"Em
termos de disponibilidade de oferta, já estamos racionando", afirma o
secretário Francisco Teixeira, titular da Secretaria de Recursos
Hídricos (SRH). A medida, acrescenta o gestor, tem como objetivo evitar
que a Capital e a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) tenham de se
submeter à manobra de só ter água durante alguns dias da semana. Em todo
o Ceará, 33 cidades já fazem racionamento.
Na
parte de uso produtivo, o titular da Secretaria de Recursos Hídricos
informa que a economia é de pelo menos 30% em relação ao que foi
utilizado no ano passado. Na Região Metropolitana, a oferta também é
menor do que em anos anteriores.
"Estamos
ofertando o mínimo possível. A água é um bem finito, então a gente tem
que administrar para evitar racionamento com manobras radicais, como
teve em São Paulo. Se a população contribuir, a gente vai conseguir
chegar, mesmo com pouca recarga, na próxima quadra chuvosa, até setembro
do ano que vem, sem racionamento", assegura. O gestor reforça que é
preciso trabalhar a economia de água, mas não descarta, caso seja
necessário, tomar medidas mais bruscas. Por enquanto, ele diz que a
situação é considerada sob controle.
"Temos
uma estação chuvosa pela frente. Tudo indica que será irregular, o que
não quer dizer que não vai chover nada. Qualquer recarga de água será
aproveitada", garante Teixeira. Em Fortaleza e na Região Metropolitana, o
secretário esclarece que o fornecimento é feito integrado ao Jaguaribe,
formado pelos açudes Orós, Castanhão e Banabuiú. "Sem isso, Fortaleza
já podia estar sem água desde maio de 2012". Dos 153 açudes monitorados
pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 123 estão com
volumes abaixo de 30% e 15,2% da capacidade total de armazenamento, de
18.813,0 hm³ .
Enquanto
isso, o prognóstico da próxima quadra chuvosa da Fundação Cearense de
Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) vai ser antecipado. Em vez de
janeiro, como geralmente ocorre, o anúncio sairá na segunda quinzena de
dezembro.
Antes
mesmo da divulgação oficial, o órgão informa que é alta a chance de o
Ceará ter o quinto ano consecutivo de seca. Isso porque o El Niño tem
97% de probabilidade de continuar no Estado. "O fenômeno está muito bem
definido e intenso, ocupando grande extensão do Oceano Pacífico",
ressalta Raul Fritz, supervisor da Unidade de Tempo e Clima do Núcleo de
Meteorologia da Funceme.
O
especialista explica que o fenômeno tem capacidade de interferir na
qualidade da estação chuvosa. Para agravar a situação, o Estado corre o
risco de ter uma seca mais severa do que dos anos anteriores. Fritz
acrescenta que a última vez que o fenômeno esteve tão intenso foi em
1998, quando choveu apenas 242 milímetros em todo o Estado - 60% abaixo
da média. "A situação do El Niño é bem parecia com a daquele ano, por
isso, a nossa preocupação. Se chover próximo a essa quantia, a recarga
dos açudes vai ser mínima", salienta. Neste ano, o normal seria chover
607 milímetros. Porém, as precipitações foram de 419 milímetros - 31%
abaixo da média.
Outra
particularidade do Estado é a variação das chuvas de uma região para
outra. Se chover bem no litoral, como aconteceu neste ano, a recarga dos
açudes é pequena, garantindo pouca água para os reservatórios mais
importantes: Orós, Castanhão e Banabuiú.
Setor industrial
A
possível continuidade da estiagem severa em 2016 também é motivo de
debate na área industrial e de irrigação do Ceará. Ontem, na reunião de
diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), o
presidente da entidade, Beto Studart, sinalizou a preocupação do setor.
"Estarmos retardando o lançamento de qualquer unidade fabril devido a
essa situação é um fato relevante. Se racionarmos, o nível de
investimento da indústria vai diminuir", ressaltou.
Presente
na reunião, o titular da SRH, Francisco Teixeira, destacou que o
Governo estuda restrições do uso da água para a agropecuária, e a meta
hoje é reduzir em 50% a utilização nestes setores produtivos. Ele disse
ainda que, recentemente, o Conselho Estadual dos Recursos Hídricos
(Conerh) suspendeu a concessão de novas outorgas do uso de água para
irrigação, justamente devido a este cenário de crise. Leia mais no
Regional
retirada do site: http://www.potenginainternet.com/

